Não sei se foi a TPM, as
oito horas escrevendo sobre tecnologia, e-commerce e marketing digital, que de
repente deu vontade de escrever sobre algo mais ameno, mais leve, com mais
vida, ou se foi só a vontade gigante de fazer algo diferente na vida, de
empreender, de encontrar um novo rumo. Foi assim que eu decidi que vou
escrever um livro.
Escrever. É tudo o que eu sei fazer. Ou não.
Uma vontade assim tão
grande que me transborda. Simples, assim. Como se fosse uma vontade de comer
chocolate, tomar banho de cachoeira ou ir a um festival de Jazz em New Orleans.
Não é que a minha vida
seja triste ou ruim, pelo contrário, estou vivendo uma das melhores fazes da
minha. Sabe aquela que você vai morar sozinha e sai em busca do tapete perfeito
que entre em total harmonia com o seu lindo sofá preto que a loja vai demorar
45 dias úteis para entregar? Então...Eu também gosto muito do meu trabalho,
afinal, lá eu escrevo, e muito.
Minha família é linda, do
tipo que todo cidadão de bem merece ter, tenho os pais mais open mind da face
da terra, sobrinhos fofos e inteligentes, amigos presentes na medida certa, uma
irmã que também é melhor amiga e uma história de vida cheia de pequenas e
delíciosas surpresas. Não, não tenho um namorado alto, forte, bonito, tipo galã
de cinema. Na verdade eu nem tenho namorado. O amor tem passado longe da minha
porta últimamente, mas um dia eu ainda quero marido, filhos, cachorro,
geladeira com desenhos em folha de papel, casa com jardim e cerca branca. Eu
sei, são só 25 anos, mas são bem vividos. Garanto.
Ai eu cheguei no prédio e no
momento em que esperava chegar no 14º
andar, que por um instante pareceu uma eternidade, lembrei que moro no Brasil,
país onde apenas 50% da população é leitora e esse número diminui a cada ano.
Ok, tudo bem. Ainda assim escreverei o livro.
Ah é, o livro. Eu não sei
exatamente porque eu decidi escrever, mas tenho a convicção de que vou fazer.
Já vi tantos livros ruins serem publicados, e eu tenho uma boa história para
contar. Juro que tenho! Mas a história é minha e eu a escrevo como eu quiser.
Tenho licença para isso.
Não, não vou contar sobre
o que vai ser. Nem para você e nem para a minha mãe.
Ah, eu escrevi amenidades?
É, talvez nem tanto...